27 de outubro, 2004 - 15h37 GMT (12h37 Brasília)
O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, rejeitou pedidos de seu gabinete para submeter seu plano de retirada de Gaza a um referendo nacional.
Sharon, que ganhou apoio do Parlamento, o Knesset, na terça-feira para a retirada, disse que não vai ceder a ameaças e ultimatos.
Ele disse que um referendo levará a terríveis tensões públicas.
Outros quatro ministros – entre eles o titular da pasta das Finanças, Binyamin Netanyahu -, ameaçam renunciar se Sharon não concordar em realizar nas próximas duas semanas um referendo sobre a proposta recém-aprovada.
Afastamento
A questão dividiu o partido de Sharon, o Likud. A votação aconteceu sob forte esquema de segurança, depois de dois dias de debates acirrados no Parlamento.
O primeiro-ministro afastou dois de seus ministros nesta terça-feira.
O ministros Uzi Landau e Michael Ratzon foram solicitados a entregar os cargos depois de terem votado contra o plano no Knesset.
Apenas um dos 120 membros do Parlamento não participou da votação. Sessenta e sete votaram a favor, 45 contra, e 7 se abstiveram.
O correspondente da BBC em Jerusalém afirma que foi a primeira vez em que o Parlamento autorizou a remoção de assentamentos israelenses.
Milhares de manifestantes protestaram em frente ao Knesset, mostrando sua oposição ao plano.
Alguns acusaram Sharon de traição, mas ele disse que a retirada vai fortalecer o país.
Dor
Anteriormente, ao discursar no Parlamento, o primeiro-ministro disse ter consciência da dor e da raiva de milhares de colonos que foram assentados na Faixa de Gaza por governos israelenses, mas explicou que a remoção dos assentamentos reduziria a hostilidade e traria progressos no processo de paz com palestinos e países árabes vizinhos.
De acordo com o plano, Israel vai retirar todos os colonos e as tropas que os protegem, mas vai manter o controle das fronteiras de Gaza, do litoral e do espaço aéreo.
Quatro assentamentos na Cisjordânia já foram evacuados.
Os Estados Unidos, que sempre apoiaram a medida como um passo necessário para o plano de paz, disseram que a retirada é um movimento na direção certa.
Os assentamentos foram construídos em terras palestinas ocupadas por Israel na guerra de 1967.