22 de outubro, 2004 - 01h39 GMT (22h39 Brasília)
Três militares envolvidos nas audiências sobre a situação de prisioneiros na base americana em Guantánamo, em Cuba, foram afastados do painel de juízes nesta quinta-feira.
A decisão foi tomada pelo general da reserva John Altenburg, que irá conduzir as audiências, depois que essas pessoas foram acusadas de não estarem em condições de fazer um julgamento imparcial.
A acusação, feita contra cinco dos seis juízes, havia sido apresentada por advogados de alguns dos detentos.
De acordo com a defesa, um dos juízes havia trabalhado no serviço de inteligência militar no Afeganistão, outro descreveu no passado os prisioneiros como “terroristas” e outro esteve envolvido no processo de transferência de prisioneiros do Afeganistão para Guantánamo.
Sem atrasos
Apesar do afastamento dos três juízes, os julgamentos em Guantánamo devem seguir em frente conforme o previsto, já que a comissão está autorizada a realizar seu trabalho com pelo menos três juízes.
O correspondente da BBC no Pentágono Nick Childs disse que os afastamentos devem dar munição a críticos da polêmica comissão, enquanto o Departamento de Defesa dos Estados Unidos deve encarar o fato como prova de que o sistema funciona.
O tribunal deve analisar os casos de pelo menos quatro suspeitos de envolvimento com grupos extremistas mantidos na prisão em Cuba.
Os julgamentos estão previstos para começar em primeiro de novembro.
A prisão de Guantánamo tem atualmente cerca de 550 prisioneiros, sendo que a maioria deles teriam sido capturados durante a ofensiva militar liderada pelos Estados Unidos no Afeganistão, em 2001.