19 de outubro, 2004 - 17h48 GMT (14h48 Brasília)
O ex-primeiro-ministro de Israel Shimon Peres disse que o atual ocupante do cargo, Ariel Sharon, corre o risco de ser assassinado por extremistas que se opõem ao plano de retirada de tropas israelenses da Faixa de Gaza.
Peres, que atualmente lidera a oposição ao governo Sharon, afirmou ao jornal israelense Maariv que está preocupado com a crescente atividade da extrema direita do país.
Ele disse que o atual clima político em Israel lembra os dias que antecederam o assassinato do primeiro-ministro Yitzhak Rabin, em 1995.
Proeminentes líderes religiosos da direita israelense têm dito a soldados que eles devem se recusar a cumprir ordens no sentido de desmontar os assentamentos judeus na Faixa de Gaza.
Insoburdinação
“Temo que alguém tente assassinar o primeiro-ministro”, disse Peres.
“Eu espero que as forças de segurança, que certamente tiraram conclusões depois do assassinato (de Rabin), estejam com os olhos bem atentos em Sharon.”
O governo israelense planeja retirar todos os 7 mil colonos judeus que vivem atualmente na Faixa de Gaza, além dos soldados que os protegem na região.
A medida faz parte de um plano mais amplo que também inclui a evacuação de quatro assentamentos na Cisjordânia.
Mas Israel pretende manter o controle sobre as fronteiras da Faixa de Gaza, sua costa e seu espaço aéreo.
Sharon diz que o plano vai reforçar a segurança dos israelenses.
Mas chefes militares temem que soldados de inclinação religiosa obedeçam a uma convocação feita na semana passada por rabinos ortodoxos no sentido de que se insoburdinem contra as ordens de retirada.