18 de outubro, 2004 - 09h46 GMT (06h46 Brasília)
O clérigo sunita que negociava uma trégua entre militares americanos e militantes rebeldes na cidade de Falluja culpou as "políticas americanas" e prisões como a dele pela suspensão das negociações de paz.
Khaled Al-Jumeili havia sido preso na sexta-feira ao sair de uma mesquita. Nesta segunda-feira, o ministro do Interior do Iraque anunciou que o primeiro-ministro, Ayad Allawi, ordenou a libertação do clérigo.
Após ser libertado, Jumeili disse que as negociações registraram "algum progresso", mas os moradores de Falluja decidiram interromper o processo.
"Gostaria de avisar a todos os iraquianos que espiões os seguem em todos os lugares", declarou o clérigo sunita nesta segunda-feira.
Violência
Nas últimas horas, forças americanas lançaram novos ataques em Falluja e pelo menos três civis iraquianos foram mortos durante a madrugada.
Autoridades dos Estados Unidos afirmam que o objetivo dos ataques é destruir possíveis esconderijos do militante jordaniano Abu Musab Al-Zarqawi, o homem mais procurado pelos americanos no Iraque, e retomar o controle da cidade.
Falluja, uma cidade industrial com cerca de 300 mil habitantes, se tornou um foco de resistência anti-americana controlado por grupos islâmicos sunitas.
Na quarta-feira, Allawi havia ameaçado os cidadãos de Falluja com uma forte operação militar caso eles não entregassem Zarqawi.
A exigência do primeiro-ministro interino foi rejeitada como "impossível" por líderes locais, que insistiram que o jordaniano não estava na cidade.
Em outro episódio de violência nesta segunda-feira, sete pessoas foram mortas e mais de 20 ficaram feridas quando um carro-bomba explodiu no centro de Bagdá.
A explosão ocorreu na frente do prédio da embaixada australiana. Entre os mortos estavam quatro policiais iraquianos e o motorista do automóvel. Uma hora depois, outra bomba explodiu no mesmo local, mas não há relatos de vítimas.