15 de outubro, 2004 - 22h03 GMT (19h03 Brasília)
Escritores e artistas mexicanos se uniram a uma campanha para impedir que o grupo de lojas de departamentos americano Wal-Mart abra uma filial perto das famosas ruínas de Teotihuacan.
No entanto, relatos indicam que a loja está quase pronta para abrir, e a campanha não deve ser bem-sucedida.
Em uma carta aberta ao presidente do México, Vicente Fox, os manifestantes dizem que a loja deve ser construída em um local mais distante.
"Teotihuacan representa para os mexicanos o nosso maior patrimônio cultural, uma expressão de nossa história e identidade como povo e nação", diz a carta.
Estilo de vida
O governo mexicano não se pronunciou sobre a carta. A loja deve ser aberta em dezembro.
A construção está localizada há cerca de um quilômetro de distância de um parque turístico que abriga as ruínas de 2 mil anos, que são consideradas um patrimônio cultural pela ONU. Outros pequenos negócios funcionam na área.
A Wal-Mart conseguiu permissão legal para construir a loja quando o Instituto Nacional de Antropologia, responsável pelas ruínas, concluiu que a construção não ameaçaria o local.
Opositores do projeto dizem que a loja vai danificar o local, matar as pequenas empresas e modificar o estilo de vida na área. Três deles fizeram greve de fome por uma semana em protesto.
"Estamos preocupados que isso possa abrir a porta para outros negócios, como McDonalds e KFC", disse o escritor Homero Aridjis.
Mistério
Ativistas americanos conseguiram impedir, no passado, que a Wal-Mart abrisse algumas lojas.
Algumas pessoas, entretanto, enxergam com bons olhos a perspectiva de que a loja traga preços mais baixos e empregos para a área.
Acredita-se que as pirâmides situadas no local foram abandonadas por volta do ano 600 d.C. Anos depois, os aztecas ocuparam as pirâmides e as batizaram de 'Teotihuacan: o local onde os homens se tornam deuses'.
Uma pequena parte do complexo, descoberto durante a construção da loja, vai ser preservada dentro do perímetro do parque.