11 de outubro, 2004 - 14h37 GMT (11h37 Brasília)
Militantes xiitas que controlam o bairro de Cidade de Sadr, em Bagdá, começaram a entregar suas armas à polícia iraquiana nesta segunda-feira.
Em meio ao desarmamento, no entanto, um ataque com um foguete matou dois soldados americanos na capital.
Em Mosul, no norte do país, dois iraquianos e um soldado americano morreram na explosão de um carro-bomba em um ataque contra um comboio militar dos Estados Unidos.
O acordo entre os militantes leais ao clérigo xiita Moqtada Al-Sadr e o governo iraquiano foi anunciado no domingo.
De acordo com um assessor de Al-Sadr, os militantes entregariam suas armas médias e pesadas – como lança-granadas e explosivos – e receberiam dinheiro.
Libertação de presos
Em troca, o governo concordou em libertar membros do Exército de Mehdi, como os militantes são chamados, e prometeu também mais de US$ 500 milhões para a reconstrução da Cidade de Sadr.
Além disso, as forças americanas se comprometeram a interromper os bombardeios contra o bairro.
O chanceler do governo interino iraquiano, Hoshyar Zebari, disse em entrevista à BBC que espera que o mesmo modelo de trégua seja utilizado para a pacificação de outras zonas de conflito no país.
A entrega das armas vai durar cinco dias e deve colocar fim a seis meses de violentos confrontos na área.
No primeiro dia do esquema, porém, alguns policiais disseram que o dinheiro previsto para a troca pelas armas dos rebeldes não havia chegado.
O acordo foi anunciado no dia de uma visita surpresa do secretário da Defesa americano, Donald Rumsfeld, ao Iraque. Ele visitou comandantes americanos na base de Al-Asad, 200 quilômetros a oeste de Bagdá.
O secretário americano disse que a violência ainda deve piorar antes das eleições marcadas para janeiro.
Rumsfeld afirmou que o número de soldados americanos no Iraque não deve diminuir antes das eleições, mas disse esperar que as forças de segurança iraquianas eventualmente aliviem o peso para os Estados Unidos.