10 de outubro, 2004 - 02h35 GMT (23h35 Brasília)
Matt Prodger
correspondente da BBC em Belgrado
Um ex-alto oficial do Exército servo-bósnio se entregou ao tribunal de crimes de guerra de Haia, na Holanda, de acordo com o governo de Sérvia e Montenegro.
Ljubisa Beara foi acusado há mais de dois anos em conexão com o massacre de Srebrenica, em 1995.
Ele era o chefe de segurança do Exército servo-bósnio e responsável por prisioneiros de guerra.
Mais de 7.500 homens e meninos muçulmanos de Srebrenica foram mostos no pior crime das guerras dos Balcãs.
Em março de 2002, o tribunal de Haia indiciou Beara com acusações de genocídio ou cumplicidade em genócídio.
Os promotores dizem que ele foi diretamente responsável pela morte de prisioneiros muçulmanos e pela expulsão de milhares de mulheres e crianças de Srebrenica.
Ele também é acusado de fazer parte do que o tribunal chama de uma operação criminosa em conjunto com, entre outros, o chefe do Exército, General Ratko Mladic, que ainda está foragido.
De acordo com o governo de Sérvia e Montenegro, Beara disse que estava se entregando para proteger os interesses do Estado e de sua família.
Em casos de extradição anteriores, os suspeitos foram colocados sob forte pressão para se renderem, ao invés de serem presos, o que é visto pelas autoridades como uma tácica pouco popular.
Acredita-se que 15 pessoas procuradas pelos promotores internacionais estão em Sérvia e Montenegro.
A rendição de Beara segue uma série de visitas recentes de enviados internacionais de alto-escalão, para prssionar o governo do país a cooperar mais de perto com o tribunal de Haia.