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01 de outubro, 2004 - 15h34 GMT (12h34 Brasília)

Governo espanhol abre caminho para casamento gay

O governo espanhol aprovou, nesta sexta-feira, um projeto de lei que legaliza o casamento entre homossexuais no país.

O texto, que ainda seguirá para a aprovação no Parlamento, dá aos casais gays os mesmos direitos adquiridos pelos heterossexuais, incluindo o direito de adotar uma criança.

A Igreja Católica Romana e a oposição conservadora são contra a medida, embora pesquisas de opinião indiquem o apoio do público em geral.

Caso seja aprovada pelos parlamentares, a Espanha se tornará o terceiro país na União Européia a autorizar os casamentos gays, além de Holanda e Bélgica.

Estimativa

O governo espera que os homossexuais possam se casar no início do ano que vem.

A estimativa é que cerca de 10% dos espanhóis sejam homossexuais – aproximadamente 4 milhões de pessoas seriam beneficiadas com a nova lei.

Pelo texto, os casais de mesmo sexo também teriam direito a se divorciar e a ganhar pensão após a morte do parceiro ou parceira.

Os casais poderão adotar apenas crianças espanholas, a fim de evitar qualquer problema legal com outros países.

O ministro da Justiça, Juan Fernando Lopez Aguilar, disse à rádio estatal RNE: "Nossa Constituição garante o direito ao casamento. Nós vamos estender esse direito às pessoas que, historicamente, têm sido discriminadas: os homossexuais".

Líderes católicos compararam o plano do governo com a liberação de um vírus na sociedade e conclamou os políticos a rejeitá-lo.

Estado secular

Mas o ativista de direitos dos homossexuais Nacho Morales diz que a comunidade gay espanhola não está preocupada.

"Nós fomos às ruas todo ano para dizer o que queremos, então, se eles não querem essa lei, podem dizer isso – mas nós temos os nossos direitos", ele disse.

O primeiro-ministro socialista José Luis Zapatero tomou posse em abril com o intuito de criar um Estado secular e remover o que chamou de "as inegáveis vantagens da Igreja".

A influência da Igreja sobre os espanhóis entrou em declínio desde a morte do ditador Francisco Franco, em 1975, cujo regime tinha laços estreitos com os líderes católicos.