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30 de setembro, 2004 - 19h19 GMT (16h19 Brasília)

ONU teme que Brasil tenha recebido contrabando nuclear, diz Reuters

Diplomatas da Agência Internacional de Energia Atômica da ONU disseram à agência de notícias Reuters que estão preocupados com a possibilidade de o Brasil ter comprado tecnologia nuclear da rede do cientista paquistanês Abdul Qadeer Khan.

De acordo com a Reuters, os diplomatas falaram na condição de não ter seus nomes revelados, e uma porta-voz da AIEA, Melissa Fleming, disse que a agência não tem "nenhuma informação concreta".

A Reuters teria recebido a informação sobre a preocupação dos funcionários da AIEA de Henry Sokolski, ex-funcionário da Secretaria de Defesa dos Estados Unidos e chefe do instituto Nonproliferation Policy Education Center, com sede em Washington.

"Eu sei que eles (membros da agência da ONU) estão preocupados com isso (essa possibildiade)", disse Sokolsi.

"Tecnologia nacional"

O governo brasileiro declarou que as alegações "não têm coerência".

"Nossa tecnologia é 100% nacional, ela foi desenvolvida pela Marinha brasileira", disse Vera Canfran, uma porta-voz do Ministério da Ciência e Tecnologia.

A rede de Abdul Qadeer Khan é acusada de já ter fornecido tecnologia nuclear à Líbia e à Coréia do Norte.

As operaçãos do grupo liderado pela paquistanês estão sendo investigadas pela AIEA.

Impasse

A agência da ONU está pedindo ao governo brasileiro autorização para inspecionar as instalações de enriquecimento de urânio da planta nuclear de Resende, no Rio de Janeiro.

O enriquecimento de urânio é um processo pelo qual o produto é purificado para uso como combustível nuclear ou em bombas atômicas.

O governo brasileiro diz que o objetivo do programa nuclear do país é pacífico, mas tem recusado permissão para que os inspetores da AIEA vejam as centrífugas usadas no enriquecimento do urânio em Resende para proteger direitos de propriedade intelectual "da tecnologia 100% nacional".

Uma equipe de inspetores da AIEA deve chegar ao país em meados do mês que vem para visitar a fábrica e negociar os termos de inspeção com o Brasil.