28 de setembro, 2004 - 15h37 GMT (12h37 Brasília)
O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, reconheceu que as provas que ele apresentou para convencer o público sobre a existência das armas de destruição em massa de Saddam Hussein estavam erradas.
Mas, em discurso nesta terça-feira na conferência nacional do seu Partido Trabalhista em Brighton, Blair disse que não podia pedir desculpas por ter se envolvido nos esforços para remover Saddam do poder.
"O mundo é um lugar melhor com Saddam na prisão."
Por duas vezes durante o discurso, o premiê foi interrompido por manifestantes contrários à guerra no Iraque e à aprovação no país de uma lei proibindo a caça à raposa.
Enquanto o primeiro manifestante, que o acusou de ter "sangue nas mãos" pelo conflito iraquano, era retirado do anfiteatro, Blair disse: "Tudo bem, o senhor pode fazer o seu protesto – apenas agradeça a Deus que vivemos numa democracia".
Blair falou também sobre o conflito no Oriente Médio. Prometeu que será uma "prioridade pessoal" sua buscar a paz entre israelenses e palestinos após a eleição presidencial dos Estados Unidos, em novembro.
Reeleição
Grande parte de seu pronunciamento, porém, foi voltado à política doméstica – os trabalhistas já concentram seus esforços para conseguir um terceiro mandato consecutivo nas eleições gerais do próximo ano.
Blair diz ter uma "missão" de criar uma Grã-Bretanha "para muitos, não para uns poucos".
Ele descreveu as dez prioridades para um terceiro mandato trabalhista.
E defendeu o que citou como principais conquistas de seu governo: estabilidade econômica, baixo desemprego e investimento em serviços públicos.
Milhares de manifestantes favoráveis à caça à raposa tiveram de ser contidos pela polícia do lado de fora do local da conferência, na cidade de praia situada a cerca de uma hora ao sul de Londres.