16 de setembro, 2004 - 20h14 GMT (17h14 Brasília)
O ex-presidente russo Boris Yeltsin advertiu nesta quinta-feira que as propostas de seu sucessor, Vladimir Putin, para reforçar o poder do Kremlin podem ser um revés para a democracia no país.
Em um artigo na edição de sexta-feira do jornal Moscow News, Yeltsin afirmou que a Rússia não pode se afastar da Constituição adotada depois do referendo de 1993.
Depois do cerco a uma escola em Beslan, Putin anunciou planos de restringir eleições regionais, dizendo que isso se justifica para ajudar a "combater o terrorismo".
Mas Yeltsin disse que o estrangulamento das liberdades "pode significar apenas que os terroristas venceram".
As propostas podem exigir mudanças constitucionais, mas Putin nega que ele tenha planos de fazer isso.
O analista da BBC para política russa, Andrei Ostalski, disse que Yeltsin fez o alerta mais significativo até o momento dentro da Rússia sobre os planos de Putin.
Políticos nos Estados Unidos e na Europa já expressaram sua preocupação com as reformas anunciadas pelo presidente russo.
Boris Yeltsin manteve uma postura discreta desde que deixou a cena política russa, em 1999.
O presidente George W. Bush disse à Rússia que devem ser defendidos os princípios da democracia.
A declaração foi feita na quarta-feira, depois que a Rússia rejeitou críticas anteriores feitas pelo secretário de Estado americano, Colin Powell, e pelo comissário de Relações Exteriores da União Européia, Chris Patten.
O ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, disse que as medidas são assunto interno e não deveriam preocupar os Estados Unidos.