14 de setembro, 2004 - 13h31 GMT (10h31 Brasília)
O Gabinete de Segurança de Israel aprovou uma proposta para indenizar colonos judeus que deixarem os assentamentos na Faixa de Gaza.
As famílias vão receber entre US$ 200 mil e US$ 500 mil (entre R$ 600 mil e R$ 1,5 milhão). Parte da indenização seria paga já na próxima semana para aqueles que saírem voluntariamente.
A medida é parte do plano do primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, de remover assentamentos de Gaza e de quatro áreas na Cisjordânia.
Milhares de pessoas protestaram contra essa remoção há dois dias e está crescendo a pressão na coalizão do governo para que o plano seja submetido a um plebiscito.
Primeiro passo
O Gabinete de Segurança inclui os ministros mais importantes do governo Sharon.
Eles aprovaram por dez votos a um a proposta de indenização durante uma reunião descrita como "tempestuosa".
Correspondentes dizem que esse é o primeiro passo concreto do governo para implementar o plano de Sharon para retirada dos assentamentos e mostra a determinação dele em seguir adiante, apesar da oposição entre seus aliados tradicionais.
O ministro do Bem Estar Social de Israel, Zevulun Orlev, integrante do Partido Religioso Nacional (PRN), de extrema-direita, foi o único a votar contra a proposta.
Na noite de segunda-feira, o PRN ameaçou deixar a coalizão de Sharon se o Parlamento aprovar o plano e ele não for submetido a um plebiscito.
Ameaça a Arafat
Em uma série de entrevistas a jornais israelenses publicadas nesta terça-feira, Sharon rejeitou o apelo do poderoso ministro das Finanças, Binyamin Netanyahu, para que o premiê submeta seu plano a um plebiscito.
"A verdadeira intenção aqui é adiar a implementação (do plano de retirada dos assentamentos)", disse Sharon.
Em entrevista ao jornal israelense Yediot Ahronot, Sharon também voltou a afirmar que o seu país pode expulsar o líder palestino, Yasser Arafat, dos territórios palestinos quando achar que isso representa o interesse israelense.
Sharon disse que não pode ver qualquer diferença entre Arafat e diversos líderes do grupo militante palestino Hamas mortos por Israel.
"Agimos contra Ahmed Yassin e (Abdel Azis) Rantissi e muitos outros assassinos no momento que consideramos que era apropriado", disse Sharon. "Em relação à expulsão de Arafat, vamos agir de acordo com o princípio de que vamos fazer quando for conveniente para nós."
Os Estados Unidos deixaram claro várias vezes que se opõem à expulsão de Arafat.
Ataque
Já na Cisjordânia, o exército israelense disse que um palestino suicida em uma bicicleta se explodiu em uma barreira militar, nesta terça-feira.
Dois soldados israelenses foram feridos na explosão que ocorreu em uma barreira nos arredores da cidade de Qalqilya.
Na segunda-feira, os israelenses mataram um graduado militante palestino e dois outros durante um ataque com mísseis, na Cisjordânia.
A Brigada dos Mártires Aqsa, grupo militante ligado à facção de Arafat, Fatah, da Organização para Libertação da Palestina (OLP), disse que vingaria os assassinatos.