14 de setembro, 2004 - 01h19 GMT (22h19 Brasília)
O candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, John Kerry, criticou nesta segunda-feira o presidente George W. Bush por, supostamente, não ter se empenhado pela renovação de uma lei que proíbe que americanos tenham acesso às chamadas “armas de ataque”.
A proibição, imposta em 1994 e válida por dez anos, deixou de valer nesta segunda-feira. Agora, cidadãos comuns poderão ter em suas casas poderosas metralhadoras semi-automáticas como a AK-47, a Kalashnikov e a UZI, e também pentes de munição com mais de dez balas.
John Kerry acusou Bush de colocar os interesses dos grupos de pressão pró-armas acima dos da polícia e das vítimas de crimes com armas de fogo nos Estados Unidos.
O presidente americano diz que apóia a proibição, mas, segundo analistas, não pressionou o Congresso para que estendesse sua validade.
“Amigos poderosos”
A proibição, que envolve 19 modelos de armas, havia sido aprovada durante o governo de Bill Clinton após uma série de tiroteios em escolas americanas e restaurantes de fast food.
Pesquisas indicam que a maioria dos americanos aprova a proibição e vários comandantes da polícia americana manifestaram preocupação com o fim da medida.
Kerry, que aceitou nesta segunda-feira o apoio da Associação Nacional das Organizações policiais, acusou Bush de escolher “amigos poderosos e com boas conexões”, em vez de ficar do lado de oficiais de polícia e das famílias que ele prometeu proteger ao assumir o cargo.
Segundo o candidato democrata à presidência, criminosos vão agora ter mais facilidade em se apossar dessas armas.
“Amanhã, pela primeira vez em dez anos, quando um assassino entrar uma loja de armas, quando um terrorista for a uma mostra de armas em algum lugar dos Estados Unidos, quando eles quiserem comprar uma AK-47 ou outra arma de ataque militar, eles vão ouvir (o vendedor falar) uma só palavra: claro”, disse.