12 de setembro, 2004 - 03h22 GMT (00h22 Brasília)
Violentos confrontos fizeram com que uma cerimônia para lembrar os que morreram no golpe militar de 1973 tivesse de ser interrompida em Santiago, no Chile, no sábado.
A polícia usou bombas de gás lacrimogêneo e jatos d'água e prendeu dezenas de manifestantes no cemitério principal da capital. Eles teriam jogado pedras em direção aos policiais.
O presidente socialista do Chile, Salvador Allende, estava entre os que morreram no golpe militar de 11 de setembro de 1973.
O golpe marcou o início do regime de 17 anos do general Augusto Pinochet.
Milhares de pessoas estavam participando da marcha que sai todos os anos do centro da cidade até o cemitério quando confrontos entre a polícia e alguns manifestantes tiveram início.
'Criminosos'
Os manifestantes, alguns usando máscaras, jogaram coquetéis molotov e pedras, enquanto que a polícia respondeu com gás lacrimogêneo e jatos d'água.
Pelo menos vinte pessoas foram presas e vários policiais ficaram feridos.
A violência fez com que a tradicional marcha organizada pela Assembléia Nacional pelos Direitos Humanos terminasse antes do previsto.
Os organizadores condenaram a violência e disseram que o evento havia sido 'seqüestrado por criminosos'.
A polícia parecia concordar, dizendo que a maioria dos que participavam da marcha se manteve pacífica e que apenas um pequeno grupo partiu para a violência.
O correspondente da BBC em Santiago, Clinton Porteous, diz que o general Pinochet pode ter deixado o poder 14 anos atrás, mas a tradição de violência no Chile no dia 11 de setembro ainda continua.