10 de setembro, 2004 - 18h36 GMT (15h36 Brasília)
A Rússia disse que abrirá um inquérito para investigar a seqüência de eventos que levou ao violento desfecho na tomada de reféns na escola de Beslan, na Ossétia do Norte.
O presidente russo, Vladimir Putin, prometeu completa cooperação com a investigação parlamentar.
Pelo menos 326 pessoas morreram depois que separatistas chechenos seqüestraram, durante três dias, mais de mil crianças e adultos. Pelo menos cem corpos ainda não foram identificados.
Segundo as autoridades russas, 727 pessoas ficaram feridas, das quais 62 tiveram que ser enviadas a Moscou de avião para serem tratadas.
Acesso
"Nós estamos interessados em obter uma imagem completa e objetiva dos eventos trágicos ligados ao seqüestro em Beslan", disse Putin em uma reunião televisionada com o presidente da Câmara Alta do Parlamento, Sergey Mironov.
No início da semana, Putin havia descartado um inquérito público e disse que uma investigação parlamentar arriscaria se tornar um "show político".
Nesta sexta-feira, ele prometeu que a comissão teria acesso a todos os documentos essenciais de que precisassem.
Analistas, no entanto, questionam o valor de tal inquérito.
"Nenhuma investigação oficial será capaz de ser completa, independente e objetiva como uma investigação deveria ser", disse à agência Reuters a analista política Masha Lipman, da organização Carnegie Endowment for International Peace.
Segurança
Também nesta sexta-feira, o Ministério do Interior da Rússia disse que vai revisar a segurança na região do Norte do Cáucaso e criar unidades especiais antiterrorismo.
O general Yuri Baluevsky, do Exército da Rússia, também afirmou que Moscou planeja lançar ataques preventivos em bases terroristas "em qualquer região do mundo".
Já o Parlamento de Moscou está considerando a introdução de amplas medidas de segurança como detectores de metais no metrô, lojas de departamento e teatros.