09 de setembro, 2004 - 13h24 GMT (10h24 Brasília)
O Parlamento da África do Sul está discutindo nesta quinta-feira propostas para que curandeiros tradicionais sejam integrados ao sistema nacional de saúde do país.
Pela nova legislação, os curandeiros teriam de obter uma licença antes de praticarem a medicina.
Segundo estimativas, há cerca de 200 mil curandeiros em toda a África do Sul.
A lei impediria que eles possam tratar ou diagnosticar doenças potencialmente terminais, como câncer e Aids.
Crenças
Muitos curandeiros, conhecidos no país como sangomas, usam ervas que já mostraram ser eficazes e que passaram a ser comercializadas por companhias farmacêuticas ocidentais.
Mas alguns sangomas já recomendaram o uso de partes do corpo humano como amuletos. Outros ainda têm contribuído para a proliferação da Aids ao aconselharem seus pacientes a terem relações sexuais com uma virgem para obterem a cura.
Essa crença contribuiu para que a África do Sul tenha um dos maiores índices mundiais de estupros de crianças. A violência sexual muitas vezes é praticada até mesmo contra bebês com poucos meses de idade.
A África do Sul conta com uma das maiores populações mundiais aidética ou soropositiva - cerca de 5,3 milhões, o que representa uma em cada nove pessoas no país.
Punição
Caso a legislação seja aprovada, os infratores da lei poderão sofrer uma multa o enfrentar uma pena de até um ano de prisão.
O governo da África do Sul estima que quase 70% da população do país recorra a curandeiros.
A proposta do governo foi bem recebida até pelos próprios curandeiros. Eles acreditam que a proposta representaria o tão aguardado reconhecimento de seu ofício.