03 de setembro, 2004 - 13h46 GMT (10h46 Brasília)
O governo do Sudão disse que não irá aceitar o estabelecimento de uma força de paz para monitorar a região de Darfur.
Mas o ministro das Relações Exteriores do país, Mustafa Osman Ismail, disse, no entanto, que o governo do país poderá concordar com o envio de mais monitores para a região.
A reação do ministro sudanês foi uma resposta à observação do enviado especial da ONU, Jan Pronk, de que as 3 mil tropas que a União Africana pretende enviar à região não são suficientes.
O conflito em Darfur deixou pelo menos 50 mil pessoas mortas e 1 milhão de desabrigados, ao longo dos últimos 18 meses. Existe o risco de mais pessoas que perderam suas casas morrerem de fome ou em decorrência de doenças.
Mílicias árabes conhecidas como janjaweed são acusadas de ter promovido estupros e limpeza étnica na região com a conivência do governo do Sudão.
EUA e ONU
Nesta quarta-feira, a ONU discutiu o conflito em Darfur, mas optou por não adotar no momento sanções contra o governo do Sudão.
Os Estados Unidos vêm pressionando a ONU pela adoção de medidas contra o Sudão, sob o argumento de que o governo segue apoiando as milícias árabes e promovendo ataques contra civis em Darfur.
O embaixador americano na ONU, John Danforth, citando um relatório feito por forças da União Africana, disse que ataques de milícias árabes contra civis em Darfur cotinuaram a ocorrer na semana passada.
O governo sudanês têm dito que o número extra de policiais que deslocou para a região irá proteger os civis na área, mas o embaixador John Darforth acredita que as próprias forças governamentais representam uma ameaça à população de Darfur.
"Se o trabalho de fornecer segurança está sendo feito exclusivamente pelas pessoas que estão jogando bombas na população de Darfur. As pessoas na região irão perguntar: 'que tipo de proteção é essa?'"
O governo do Sudão nega ter armado as mílicas janjaweed e atribui a violência na região a dois grupos rebeldes de Darfur que se insurgiram no ano passado.
Negociações de paz entre grupos rebeldes e o governo do Sudão foram interrompidas, devido a divergências relativas a temas como desarmamento e outras questões de segurança.