31 de agosto, 2004 - 10h38 GMT (07h38 Brasília)
O ex-líder iugoslavo Slodoban Milosevic denunciou o que chamou de "mentiras e acusações inescrupulosas" feitas contra ele no Tribunal Penal Internacional em Haia.
Ele começou nesta terça-feira a fazer sua defesa contra acusações de genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra. Os delitos teriam sido cometidos pelo ex-presidente da Iugoslávia em meio a conflitos na Croácia, na Bósnia e em Kosovo durante a Guerra nos Bálcãs, na década de 90.
O julgamento foi adiado cinco vezes devido a problemas de saúde do ex-líder iugoslavo. Ele sofre de pressão alta, hipertensão e apresenta seqüelas cardiovasculares, de acordo com relatórios médicos.
Milosevic está fazendo a sua própria defesa, e o tribunal estuda agora a possibilidade de nomear um advogado de defesa, apesar de suas resistentes objeções.
O tribunal teme que, caso não haja intervenção, o julgamento não será completado dentro do prazo, em outubro de 2005.
Julgamento
Vestindo um terno azul e gravata com a cor da bandeira da Iugoslávia, Milosevic reclamou que ele teria apenas quatro horas para seu discurso inicial, enquanto promotores receberam três dias para expor o caso quando o julgamento começou, em fevereiro de 2002.
"Por um longo período, foi criada uma imagem distorcida e falsa sobre o que aconteceu na Iugoslávia... As acusações contra mim são mentiras inescrupulosas", disse ele em sua declaração inicial.
Ele culpou a comunidade internacional por ser "a principal força para a destruição da Iugoslávia" durante a guerra nos Bálcãs.
Analistas dizem que o julgamento é visto como um teste para o Tribunal Penal Internacional e como um dos mais importantes julgamentos de crimes de guerra desde Nurembergue, após a Segunda Guerra Mundial.
Milosevic disse que quer chamar mais de 1,6 mil testemunhas durante os 150 dias de sua defesa - incluindo o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton e o primeiro-ministro britânico, Tony Blair.