30 de agosto, 2004 - 16h58 GMT (13h58 Brasília)
Um porta-voz das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) afirmou que o grupo rebelde aceita negociar a troca de reféns por guerrilheiros presos.
Em entrevista a um telejornal colombiano, o chefe guerrilheiro Raúl Reyes disse aceitar a designação do alto comissário para a paz, Luiz Restrepo, como interlocutor.
Mas Reyes rejeitou a proposta do governo do presidente Álvaro Uribe de usar a internet como canal de diálogo e pediu a designação de zonas desmilitarizadas para a realização das negociações.
Segundo a Rádio Caracol, da Colômbia, o ministro do Interior, Sabas Pretelt, disse que o governo ainda está estudando a proposta do grupo, mas que o fato de as Farc aceitarem Luiz Restrepo como negociador já é, em princípio, um passo adiante.
Ainda segundo a Rádio Caracol, o ministro também teria dito que Restrepo pode fazer um anúncio oficial ainda nesta segunda-feira, mas que ele havia alertado que a discussão sobre a proposta zona desmilitarizada vai ser longa.
Negociações
Na semana passada, Restrepo havia sugerido que a forma mais rápida de discutir os termos da troca seria por e-mail.
Em meados de agosto, o governo de Uribe propôs às Farc libertar 50 de seus guerrilheiros, em troca da libertação de reféns em poder do grupo.
Os dirigentes das Farc criticaram a proposta unilateral, que não permite que eles negociem os termos da troca, incluindo o número de reféns a ser libertado.
De acordo com o jornal colombiano El Tiempo, Reyes disse que todos os guerrilheiros têm que ser libertados, incluindo o recentemente capturado Simón Trinidad.
A organização descartou a intermediação proposta pela igreja e pela Suíça, dizendo que "esse assunto diz respeito exclusivamente ao governo colombiano e às Farc".
Os parentes dos seqüestrados expressaram sua satisfação pelo fato de o governo ter escolhido Restrepo como intermediário.
Mas também questionaram a proposta do alto comissário de usar a internet para as negociações.
ONU
A ONU e a Cruz Vermelha Internacional publicaram nesta segunda-feira um relatório conjunto em que expressam preocupação com o número de pessoas seqüestradas na Colômbia.
De acordo com o relatório, na Colômbia há 890 casos de pessoas desaparecidas que precisam ser esclarecidos.
O relatório também destaca a Chechênia e o Nepal.
Segundo as organizações, há 270 seqüestros que precisam ser esclarecidos na Chechênia.
A ONU a e Cruz Vermelha pedem aos governos que suspendam a imunidade e levem membros das forças de segurança envolvidos nos desaparecimentos à Justiça.