28 de agosto, 2004 - 19h56 GMT (16h56 Brasília)
Grupos rebeldes no Sudão se retiraram de conversações de paz com representantes do governo sudanês. A decisão ocorreu em sinal de protesto contra suspostos ataques a civis por forças que seriam lideradas pelo governo do país.
Os dois grupos (Movimento Justiça e Igualdade e o Exército de Libertação Sudanês) , afirmaram estar interrompendo, por um período de 24 horas, as negociações presididas pela União Africana, na capital da Nigéria Abuja.
Funcionários do governo e representantes dos rebeldes no Sudão haviam se reunido antes para discutir as condições reais no país.
Tragédia
Desde o início da violência na região de Darfur no começo de 2003, cerca de 50 mil pessoas já morreram.
Numa nota na qual anunciaram a retirada das negociações, os rebeldes que estavam bloqueando as conversações por 24 horas como resultado de violações sérias e ataques contínuos a vários civis.
A União Africana pretende tentar solucionar questões relacionadas à tragédia humana em Darfur, antes de procurar uma solução política para o conflito.
Mas os grupos rebeldes, Movimento Justiça e Igualdade e o Exército de Liberação Sudanês, deixaram claro que eles não irão entregar suas armas sem um acordo político.
Sanções
A União Africana, por sua vez, quer produzir um acordo interino entre os rebeldes e o governo.
A União espera ainda que o acordo possa incluir o desarmamento de ambos os lados: os rebeldes e os inimigos conhecidos como as milícias árabes incluindo as milícias Janjaweed.
A União Africana está exercendo uma forte pressão, apoiada pela ameaça de sanções anunciadas pela ONU contra o governo do Sudão.
O prazo dado ao governo sudanês para cumprir as exigências da ONU, que incluem melhora na segurança em Darfur, vence na próxima segunda-feira.