28 de agosto, 2004 - 15h14 GMT (12h14 Brasília)
Uma delegação do Vaticano, liderada pelo cardeal Walter Kasper, entregou à Igreja Ortodoxa Russa uma imagem da Virgem de Kazan. Segundo os fiéis, ela ajudou a proteger combatentes russos através dos séculos.
O ícone, considerado um dos mais sagrados pelos ortodoxos, é um presente pessoal do papa João Paulo 2º aos cristãos em Moscou.
Analistas dizem que o gesto faz parte dos esforços do Vaticano para tentar pôr fim a uma divisão milenar entre os Catolicismos praticados no Oriente e no Ocidente.
Perda
A cópia do ícone da Virgem teria sido retirado da Rússia ilegalmente há cerca de 100 anos. O quadro se encontrava nas dependências privadas de João Paulo 2º há mais de uma década.
Segundo informações, a imagem teria sido presenteada ao papa por um grupo de católicos americanos, que a compraram por US$ 1 milhão na década de 70.
A imagem original, encontrada em 1579, teria se perdido. O ícone atual é incrustado com prata e pedras preciosas.
Napoleão
O chefe da Igreja Russa, patriarca Alexei, agradeceu ao papa que considera o presente como um gesto de boa vontade. O patriarca, no entanto, pediu ao Vaticano para não tentar estabelecer uma competição por cristãos russos.
A Virgem de Kazan tem um significado especial para os fiéis da Igreja Ortodoxa Russa.
Eles acreditam que ela ajudou a Rússia a sair vitoriosa numa série de batalhas, como por exemplo uma contra o exército de Napoleão em 1812.
A imagem deve ficar temporariamente numa capela que integra a residência do patriarca Alexei até que a Igreja decida seu destino.