25 de agosto, 2004 - 17h05 GMT (14h05 Brasília)
Um juiz chileno ordenou o ex-ditador Augusto Pinochet a dar depoimento por escrito no caso do assassinato do cantor e compositor chileno Victor Jara.
Jara supostamente foi torturado e morto pouco depois do golpe militar de 11 de setembro de 1973, em um estádio esportivo na capital, Santiago.
A promotoria espera apurar quem estava encarregado do estádio na época.
O juiz também ordenou que vários ex-generais do Exército prestem depoimento no caso.
Operação Condor
A decisão do juiz foi anunciada num momento em que Pinochet enfrenta uma investigação de alegações de que ele ocultou milhões de dólares em contas bancárias secretas quando estava no poder.
A Suprema Corte chilena também deverá decidir sobre um apelo apresentado por seus advogados depois de uma decisão judicial de tirar a imunidade de Pinochet em conexão com a Operação Condor.
A operação consistia na coordenação de governos militares sul-americanos, inclusive, supostamente, o do Brasil, durante as décadas de 1970 e 1980, para perseguir os opositores políticos.
Jara era partidário de Salvador Allende, deposto e morto no golpe.
Jara tinha 38 anos quando foi torturado e morto. Há notícias de que ele foi detido com outras pessoas consideradas "perigosas" pelos militares golpistas.
Outros prisioneiros disseram depois que o artista não parou de cantar mesmo quando os guardas o queimaram e quebraram os ossos de suas mãos.
Seu corpo foi jogado na rua, tinha 44 buracos de bala e várias fraturas, especialmente nas mãos.
Sua esposa, Joan, deixou o país secretamente depois da morte do cantor. Ela levou cassetes com sua música, que se tornou internacionalmente conhecida.
Sua obra inclui clássicos da canção popular latino-americana como Te recuerdo Amanda e Manifiesto.