25 de agosto, 2004 - 11h50 GMT (08h50 Brasília)
O líder espiritual dos xiitas do Iraque, o aiatolá Ali Sistani, voltou para casa depois de três semanas, em que passou por tratamento médico no Reino Unido.
O aiatolá é visto por muitos como o homem com maiores possibilidades de resolver de maneira pacífica a crise na cidade de Najaf.
A volta do aiatolá para casa ocorre em meio a violentos combates entre tropas americanas e seguidores do clérigo rebelde Moqtada al-Sadr.
Sistani estaria planejando visitar Najaf mais tarde, e o porta-voz dele pediu aos seguidores do aiatolá que estejam prontos para marchar na cidade, para salvá-la.
Ali Sistani, o clérigo xiita mais reverenciado no Iraque, volta para casa um dia depois de o governo interino ter alertado que vai acabar com os conflitos pelo uso da força, dentro de poucas horas.
Nesta quarta-feira, foram ouvidos tiros de tanques e metralhadoras na cidade, e colunas de fumaça eram avistadas em meio a notícias de que as forças americanas haviam se aproximado do santuário do Imã Ali, que serve de base para os rebeldes.
Mediação
O aiatolá Sistani pousou no Kuwait e seguiu para o Iraque em um comboio de carros.
Segundo o correspondente da BBC em Bagdá Matthew Price, o líder religioso poderá desempenhar um papel crucial nos esforços para pôr fim à crise que ameaça desestabilizar o Iraque.
No primeiro semestre, ele participou das negociações por um cessar-fogo entre as milícias de al-Sadr e as tropas americanas em uma situação semelhante.
Segundo o correspondente da BBC, acredita-se que os seguidores de Moqtada al-Sadr não iriam ignorar um comando direto de Ali Sistani para suspender a ocupação do santuário do Imã Ali.
Na terça-feira à noite, um porta-voz de Al-Sadr disse que o clérigo estava pronto para negociar.
Paciência
O ministro interino de Defesa do Iraque disse mais cedo que o governo já está perdendo a paciência.
Moqtada al-Sadr não é visto em público há vários dias, mas seus seguidores afirmam que ele permanece em Najaf, supervisionando as operações.
Informações não confirmadas desta quarta-feira dão conta de que as tropas americanas, ajudadas por soldados iraquianos, chegaram à cidade velha e estariam bem próximas da entrada do santuário.
Segundo a agência de notícias francesa AFP as barricadas erguidas para proteger o santuário foram queimadas.