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21 de agosto, 2004 - 01h49 GMT (22h49 Brasília)

Pinochet é interrogado sobre contas no exterior

Um juiz chileno interrogou o ex-ditador Augusto Pinochet sobre contas bancárias secretas que vieram à luz nos últimos meses em um relatório do Senado dos Estados Unidos.

O general Pinochet, de 88 anos, foi interrogado em sua mansão há cerca de dez dias depois de concordar em dar depoimento, disse um de seus advogados.

O ex-ditador e sua família negam ter desviado recursos públicos quando no poder.

Este foi o primeiro depoimento de Pinochet a um juiz desde que ele foi considerado incapacitado para enfrentar julgamento por violações de direitos humanos em 2001.

'Saudável'

Advogados especializados em direitos humanos disseram que o interrogatório deste mês mostrou que o ex-dirigente chileno está saudável o suficiente para ser julgado.

"Ninguém pode mais alegar que ele está louco ou demente. Foi provado que ele tem competência legal para enfrentar julgamento", disse o advogado Eduardo Contreras.

Exames médicos ordenados judicialmente concluíram que ele sofre uma leve demência causada por pequenos derrames.

O Tribunal de Apelação do país retirou recentemente a imunidade de Pinochet - uma iniciativa que pode abrir caminho para um julgamento por violações de direitos humanos durante seu governo, de 1973 a 1990.

US$ 8 milhões

Uma investigação do Senado americano sobre o Riggs Bank, sediado em Washington, apurou em julho que Pinochet e sua mulher mantiveram US$ 8 milhões no banco entre 1994 e 2002, descondando vários cheques no Chile.

A Justiça chilena encarregou o juiz Sergio Muñoz de investigar possíveis crimes financeiros.

Muñoz já interrogou a mulher do ex-ditador e cinco filhos, obtendo ainda documentos do imposto de renda chileno, corretores de ações, do Congresso e Exército.

Pablo Rodriguez, chefe da equipe de advogados de Pinochet, disse na sexta-feira que todos os recursos do general foram "adquiridos de maneira perfeitamente legal, sem qualquer tipo de fraude ou corrupção".