20 de agosto, 2004 - 03h07 GMT (00h07 Brasília)
Um estudo na publicação médica The Lancet afirma que parte do pessoal médico que trabalhava na prisão de Abu Ghraib no Iraque ignorou a ética médica e os direitos humanos em suas atividades.
Segundo a pesquisa, médicos e paramédicos deixaram de realizar exames, falsificaram atestados de óbito para ocultar assassinatos e colaboraram com pessoas que realizaram interrogatórios abusando de prisioneiros.
O autor do estudo, Steven Miles, da Universidade de Minnesota, analisou notícias divulgadas por meios de comunicação, depoimentos de testemunhas e documentos do governo para chegar a suas conclusões.
Miles disse que não sabe quantos profissionais da medicina estavam envolvidos, e pediu a abertura de um inquérito amplo.
O Pentágono disse que está investigando todos os aspectos de suas operações em Abu Ghraib, mas afirmou que não sabe de ocasiões em que pessoal médico deixou de fornecer assistência a presos feridos.
Segundo o correspondente da BBC junto ao Pentágono, Nick Childs, o órgão diz que acredita que os médicos salvaram dezenas ou mesmo centenas de rebeldes e prisioneiros iraquianos.
Acredita-se ainda que um novo relatório do Exército dos Estados Unidos sobre o escândalo de abusos na prisão de Abu Ghraib, a ser divulgado na semana que vem, dirá que o pessoal médico americano testemunhou os abusos ou descobriu que eles ocorriam ao tratar de ferimentos suspeitos, mas não levou o caso a seus superiores, disse Nick Childs.
Há informações de que o relatório vai responsabilizar mais de vinte pessoas pelos abusos.
Oficiais de patente mais alta, contudo, serão eximidos de culpa por ordenar qualquer abuso, mas receberão críticas por falhas de liderança e supervisão de pessoal, afirma Childs.
Fotografias de soldados americanos abusando prisioneiros no Iraque na prisão de Abu Ghraib causaram indignação em todo o mundo em meados deste ano.