17 de agosto, 2004 - 23h46 GMT (20h46 Brasília)
Uma delegação de alto nível do governo do Iraque que foi à cidade sagrada de Najaf nesta terça-feira fracassou em sua missão para tentar acabar com o impasse entre milicianos xiitas e as forças militares lideradas pelos Estados Unidos.
Os delegados foram ao santuário do imã Ali para se reunirem com o clérigo radical Moqtada Al-Sadr, que lidera um levante que já dura doze dias, mas o religioso se recusou a recebê-los.
A missão, liderada por um primo de Al-Sadr, Hussein, foi enviada por líderes políticos e religiosos do Iraque reunidos em uma conferência nacional.
Pesados combates continuaram em Najaf quando o grupo deixava a cidade.
A luta se intensificou na terça-feira perto do santuário do imã Ali, onde Al-Sadr e suas forças estão cercadas por tanques americanos.
Pelo menos uma aeronave americana bombardeou um cemitério onde os integrantes da milícia Mehdi, de Al-Sadr, tomaram posições.
Os milicianos responderam com morteiros e tiros de metralhadoras.
A conferência nacional que se realiza na capital iraquiana, Bagdá, pediu aos partidários do clérigo radical que deponham armas e deixem o santuário em Najaf, que é um dos locais mais sagrados dos muçulmanos xiitas.
O chefe da delegação, Hussein Sadr, disse que sua missão não era negociar com o clérigo.
"Esta é uma missão amistosa para enviar uma mensagem da conferência nacional", disse ele.
Mas um porta-voz de Al-Sadr, Heidar al-Tarfi, disse que o clérigo tem reservas sobre os emissários.
Ele acrescentou que Al-Sadr os considera mensageiros e não negociadores.
Mas outro assessor do clérigo rebelde, Mahmoud Al-Soudani, disse a repórteres em Bagdá que Al-Sadr não quis se reunir com a missão "por razões de segurança e pelo pesado bombardeio em Najaf".