16 de agosto, 2004 - 18h16 GMT (15h16 Brasília)
A Conferência Nacional do Iraque votou pelo envio de uma delegação a Najaf para tentar acabar com os confrontos entre tropas americanas e seguidores do clérigo xiita Moqtada Al-Sadr.
Choques esporádicos foram registrados na cidade nesta segunda-feira. Integrantes de milícias permaneceram em barricadas dentro do templo do imã Ali.
Um porta-voz de Sadr disse que o clérigo está pronto para discutir qualquer iniciativa de paz.
O levante de 11 dias em Najaf dominou o debate na Conferência Nacional em Bagdá. A conferência vai eleger um conselho interino.
O enviado especial da ONU ao Iraque, Ashraf Qazi, disse à BBC que a organização também está disposta a assumir um papel de negociadora na cidade sagrada.
Apelo
O clérigo xiita de Bagdá, Hussein Al-Sadr, liderou um apelo para que Moqtada Al-Sadr, seu parente, e a milícia Exército Mehdi se juntem ao processo político.
"Há condições invioláveis em países civilizados. Particularmente, não há lugar para milícias armadas", disse.
"Temos que trabalhar juntos para convencer Moqtada Al-Sadr e os queridos irmãos no Exército Mehdi a se transformarem em um partido político, independente de sua inclinação."
Os líderes religiosos e políticos estão reunidos na conferência para eleger um conselho de 100 membros para fiscalizar o governo interino até as eleições em janeiro.
O governo insiste que a milícia Mehdi deve entregar suas armas e deixar Najaf. Sadr rejeita a exigência e, na semana passada, conclamou seus homens a lutarem até a morte.
Escudo humano
Apesar dos confrontos, um porta-voz de Sadr disse nesta segunda-feira que uma negociação seria possível.
Sheikh Ahmed Shaibani afirmou que os rebeldes xiitas estão "tão preparados" para se defender "quanto para a paz".
Shaibani também pediu para que chefes tribais de todo o Iraque viajem para Najaf e se posicionem como escudos humanos para proteger o santuário do imã Ali, onde se acredita que Sadr esteja localizado.
Em entrevista à rede de televisão Al–Jazeera, Shaibani disse que seria "inadmissível" que a milícia Mehdi fosse desarmada.
Simpatizantes civis do clérigo teriam se posicionado nas imediações do santuário para tentar prevenir um ataque.
O ministério do Interior disse ter ordenado que as forças americanas e iraquianas não ataquem a mesquita, um dos locais mais sagrados da facção xiita do islamismo.