14 de agosto, 2004 - 00h06 GMT (21h06 Brasília)
Uma trégua temporária parece estar sendo mantida na cidade iraquiana sagrada de Najaf, depois de uma semana de conflitos.
O líder religioso Moqtada Al-Sadr divulgou condições para o fim dos conflitos entre seus simpatizantes e as forças americanas e iraquianas.
Seus seguidores dizem que Al-Sadr foi ferido nos ataques, informação que foi negada pelo governo iraquiano.
O ataque a Najaf gerou uma onda de protestos pró-Sadr em várias partes do país.
Santuário
Milhares de pessoas participaram de uma manifestação na Zona Verde de Bagdá, onde mora a maioria dos altos membros do governo iraquiano.
Protestos similares aconteceram em Kufa, Samarra, Mosul e Falluja, com simpatizantes pedindo a renúncia do ministro interino do Iraque, Iyad Allawi e a saída das forças americanas de Najaf.
![]() O santuário pode ser localizado no centro da foto aérea |
• Cerca de 20 soldados poloneses foram cercados por guerrilheiros leais a Al-Sadr em uma delegacia no sul do país, segundo os militares da Polônia.
• Forças americanas lançaram ataques aéreos contra militantes na cidade sunita de Falluja, matando quatro pessoas, segundo testemunhas e hospitais. Os EUA não confirmaram o ataque.
• Na cidade de Basra, um jornalista britânico foi libertado após ter sido seqüestrado em um hotel na quinta-feira. Seus raptores exigiam que os EUA se retirassem de Najaf.
Najaf permanece relativamente calma, diz o correspondente da BBC Matthew Price.
Ele diz que o santuário do Iman Ali, centro de muito do conflito, parece calmo e sem os focos de incêndio que apresentava nos últimos dias.
Acredita-se que Sadr e seus seguidores estejam no santuário.
Condições
Um militar americano disse que os 2 mil soldados de elite americanos e os 1,8 mil soldados iraquianos receberam ordem de não suspender a ofensiva.
“Atacaremos apenas em defesa própria”, disse o major Bob Pizzitola.
As forças americanas montaram um cordão de isolamento ao redor do santuário, do cemitério e da Cidade Velha.
O governo diz que está negociando com pessoas ligadas a Al-Sadr para resolver a disputa, que já dura nove dias.
Um porta-voz do religioso disse que algumas condições devem ser aceitas para que o conflito termine.
• As forças americanas devem sair de Najaf.
• Locais sagrados xiitas devem ser administrados por autoridades religiosas.
• Os guerrilheiros capturados devem ser libertados e receber anistia.
• A restauração dos serviços básicos em Najaf.
O ministro do Interior do Iraque, Falah Naqib, tinha declarado que o clérigo “não seria tocado” se resolvesse deixar o santuário pacificamente.
“Vamos perseguir os elementos criminosos que se infiltraram no movimento de Al-Sadr, mas não Moqtada.”
Dilema
O analista da BBC para assuntos árabes, Magdi Abdelhadi, disse que o governo iraquiano não pode aceitar que Al-Sadr deixe Najaf com sua milícia intacta.
Ele não poderia, em contrapartida, desarmar esses homens porque seria suicídio político, diz Abdelhadi.
Naqib também negou que o religioso tenha sido ferido durante os bombardeios noturnos.
Simpatizantes de Al-Sadr dizem que ele teria sido ferido no peito, pernas e braços, mas disseram que sua condição é estável.
Estima-se que existam cerca de mil guerrilheiros leais a Al-Sadr em Najaf. Não se sabe quantos foram mortos durante os conflitos.
Tanto o governo iraquiano quanto militares americanos dizem que, se um ataque ao santuário acontecer, apenas soldados iraquianos vão entrar no local, para evitar inflamar os sentimentos xiitas.