11 de agosto, 2004 - 18h08 GMT (15h08 Brasília)
Milicianos pró-governo no Sudão ainda estão atacando civis apesar de promessas do governo do país de acabar com a violência, afirmam grupos de defesa dos direitos humanos.
Relatório da organização Human Rights Watch, sediada nos Estados Unidos, dá detalhes de casos recentes de estupro e agressão na região de Darfur, no oeste do Sudão.
Até 50 mil moradores da área foram mortos e mais de 1 milhão tiveram que deixar suas casas.
A Organização das Nações Unidas (ONU) também acusou o governo de usar helicópteros armados em Darfur. O governo do Sudão negou as acusações e insistiu que está melhorando a segurança na região.
Chade
As acusações de novas atrocidades são feitas num momento em que um alto representante da ONU começa a visitar o Chade, país vizinho do Sudão. Há temor pelas condições de cerca de 200 mil refugiados na região.
O governo sudanês vem sendo acusado de dar apoio aos guerrilheiros da milícia Janjaweed e de outras milícias árabes responsabilizadas por atrocidades generalizadas nos combates contra rebeldes em Darfur.
O Conselho de Segurança da ONU aprovou no mês passado uma resolução pedindo ao Sudão que acabe com a violência até o final de agosto.
As autoridades dizem que enviaram um contingente extra de milhares de soldados a Darfur, em um esforço para controlar os milicianos e proteger os civis.
Mas relatório da Human Rights Watch diz que as garantias do governo não têm credibilidade.
"Em várias áreas rurais e pequenas cidades em Darfur, forças do governo e milicianos Janjaweed continuam a estuprar e agredir mulheres e meninas rotineiramente quando elas deixam a periferia dos acampamentos e cidades", diz ele.
O documento dá detalhes de incidentes que diz terem ocorrido em julho.
"Civis continuam sendo atacados e mortos em ações conjuntas do governo e da milícia Janjaweed, particularmente no sul de Darfur", diz a Human Rights Watch.
O relatório também acusa o governo de incorporar milicianos na força policial e em outras forças de segurança oficiais.
Mas o embaixador do Sudão na Grã-Bretanha, Hassan Abdin, rejeitou as acusações.
"Dizer que o governo está conivente ou colabora com os Janjaweed não é verdade", disse ele à BBC.
Abdin disse que o Sudão está combatendo a violência e prendeu e julgou cem milicianos.