11 de agosto, 2004 - 11h28 GMT (08h28 Brasília)
Os depoimentos de dois supostos integrantes da Al-Qaeda presos nos Estados Unidos descartam a participação direta do marroquino Mounir al-Motassadeq nos atentados de 11 de setembro de 2001.
Al-Motassadeq havia sido condenado por participação nos ataques, mas, por decisão da Suprema Corte alemã, está tendo direito a um novo julgamento.
Segundo Ramzi Binalshibh e Khalid Sheikh Mohammed, Motassadeq não tinha conhecimento dos planos da célula extremista de Hamburgo.
"As atividades do grupo de Hamburgo não eram conhecidas por Al-Motassadeq, mas o grupo era conhecido por vários estudantes em Hamburgo", diz a tradução do testemunho de Binalshibh, lida no tribunal alemão nesta quarta-feira.
Segundo o juiz que preside o julgamento, Ernst-Rainer Schudt, a carta contendo resumos dos testemunhos prestados pelos dois prisioneiros chegou no dia 9 de agosto. "Temos que refletir sobre o que isso significa para o julgamento, e o que isso significa dentro do volume de provas que vamos ouvir", disse Schudt.
Hamburgo
Três dos seqüestradores dos aviões usados nos ataques a Nova York e Washington moravam em Hamburgo, assim como Binalshibh, que admite ter participado do planejamento dos atentados.
Motassadeq já havia sido julgado e condenado por envolvimento nos atentados quando, em março, todo o processo foi anulado por ter sido considerado injusto – uma vez que o tribunal alemão não tinha tido acesso aos depoimentos de suspeitos presos nos Estados Unidos que poderiam potencialmente inocentá-lo.
As autoridades alemãs haviam solicitado a Washington, em maio, acesso direto a Binalshibh e outras testemunhas.
No entanto, antes de decidir liberar resumos dos depoimentos, o Departamento de Justiça americano disse que até mesmo informações sobre se um indivíduo está sob custódia eram classificadas como secretas.