08 de agosto, 2004 - 21h06 GMT (18h06 Brasília)
Autoridades do Iraque emitiram um mandado de prisão contra Salem Chalabi, o chefe do tribunal que está julgando o ex-presidente Saddam Hussein.
Ele estaria sendo procurado como suspeito de homicídio.
Também foi pedida a prisão de Ahmed Chalabi, o tio de Salem, que já foi uma vez o preferido do Pentágono para comandar o Iraque pós-guerra.
Ahmed está sendo acusado de fraude financeira.
"Principal suspeito"
Os dois homens, que encontram-se fora do Iraque, negam as acusações, afirmando que elas têm motivação política.
Ahmed Chalabi, que encontra-se no Irã, disse que ainda não havia sido informado oficialmente sobre o mandado de prisão.
"Mas vou lutar contra essas acusações infundadas", disse ele à rede de TV americana CNN.
O juiz Maliki disse que Ahmed Chalabi é "o principal suspeito" de fraude financeira e que ele deve obedecer aos procedimentos legais, sendo preso para interrogação.
Pentágono
A relação dos americanos com Ahmed Chalabi piorou depois de uma operação de busca e apreensão em sua residência na capital iraquiana, Bagdá, comandada pelos americanos em maio deste ano.
Soldados cercaram a casa e escritórios de Chalabi, na época membro do conselho interino de governo, e apreenderam computadores e documentos.
Segundo Chalabi, os americanos se sentiram "desafiados" por sua influência devido a seus pedidos de que soberania plena, e não parcial, seja concedida ao povo iraquiano, assim como controle total sobre as riquezas do país.
Mas os americanos diziam que ele tinha ligações com radicais do Irã.
Irã
O mandado de prisão aos Chalabis ocorre no mesmo dia em que um diplomata iraniano teria sido supostamente seqüestrado no Iraque por um grupo radical islâmico.
O diplomata, Fereidoun Jahani, iria ocupar uma posição consular em Karbala e teria desaparecido enquanto viajava de Bagdá à cidade xiita.
Um grupo chamado Exército Islâmico divulgou um vídeo com uma imagem do passaporte do diplomata.
No mês passado, o ministro da Defesa do Iraque, Hazem Al-Shaalan, acusou o Irã de intervir na política iraquiana.
O governo do Irã nega as acusações.