03 de agosto, 2004 - 16h17 GMT (13h17 Brasília)
O Exército do Sudão afirmou que a resolução do Conselho de Segurança da ONU para o conflito na região de Darfur, no oeste do país, é uma "declaração de guerra", e ameaçou lutar contra qualquer intervenção estrangeira.
"O Exército sudanês está pronto para combater os inimigos do Sudão por terra, mar e ar", disse ao jornal estatal Al-Anbaa o porta-voz das Forças Armadas, o general Mohamed Beshir Suleiman.
"A porta para a jihad (guerra santa) ainda está aberta em Darfur, mesmo se ela foi fechada no sul", prosseguiu Suleiman, referindo-se ao acordo de paz para pôr fim os 20 anos de guerra na região sudeste do país.
A resolução do Conselho de Segurança da ONU dá ao governo do Sudão 30 dias para desarmar as milícias Janjaweed, acusadas de realizar atrocidades contra comunidades não-árabes.
O governo do país também criticou a resolução e prometeu desarmar as milícias em 90 dias.
Preocupação
Pelo menos 50 mil pessoas morreram e mais de 1 milhão de pessoas abandonaram suas casas em 18 meses de conflito.
Nesta segunda-feira, o Programa de Alimentação da ONU realizou a primeira entrega por ar de alimentos, destinados a famílias que tiveram o suprimento por terra cortado por causa de fortes chuvas.
A crescente preocupação internacional com a situação no oeste do Sudão vem provocando uma série de apelos para que haja uma intervenção militar limitada no país.
O presidente da Nigéria, Olusegun Obasanjo visitou a capital do Sudão, Khartoum, e a Líbia no fim de semana, procurando uma "solução africana" para a crise.
Como presidente da União Africana, Obasanjo pede que tropas africanas sejam enviadas a Darfur para desarmar as milícias Janjaweed e outros dois grupos rebeldes acusados pelo Sudão de ter iniciado o conflito ao pegar em armas no ano passado.
A Nigéria, a África do Sul e Ruanda haviam prometido enviar 300 soldados para Darfur até o fim de julho, o que ainda não ocorreu.
A França está enviando 200 militares para fazer a segurança da fronteira do Sudão com o Chade, onde tem ainda mil soldados em missão de ajuda a refugiados.