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30 de julho, 2004 - 23h46 GMT (20h46 Brasília)

Guantánamo: militares analisam validade de prisão

As Forças Armadas americanas instalaram um tribunal para decidir se um dos prisioneiros mantidos na base militar de Guantánamo, em Cuba, está sendo detido legalmente.

É a primeira vez que prisioneiros lá mantidos poderão apresentar uma defesa formal.

Uma comissão composta por três militares vai analisar se o prisioneiro a ser julgado está sendo detido legalmente como um combatente inimigo ou se dever ser libertado.

Com o passar do tempo, todos os cerca de 600 prisioneiros de Guantánamo devem passar pelo mesmo processo.

Informações secretas

O anúncio do começo dos julgamentos acontece depois que a Suprema Corte americana decidiu, em junho, que os prisioneiros podem contestar sua prisão nos tribunais dos Estados Unidos.

Nas audiências iniciadas nesta sexta-feira em Guantánamo, os representantes dos prisioneiros perante os juízes também serão militares, o que rendeu críticas a todo o procedimento.

Durante as sessões, os detidos poderão testemunhar e solicitar depoimentos, mas não terão acesso a informações secretas a seu próprio respeito que estão em poder das forças americanas.

A intenção dos americanos, segundo porta-voz, é completar a análise dos casos em um prazo de entre 30 e 120 dias.

Julgamentos

Os Estados Unidos também anunciaram que os primeiros julgamentos militares dos prisioneiros de Guantánamo devem começar no dia 23 de agosto.

Um australiano e três suspeitos de fazerem parte da Al-Qaeda originados do Iêmen e do Sudão foram selecionados para audiências preliminares.

Eles foram acusados formalmente por crimes relacionados a terrorismo.

Os advogados do australiano David Hicks se queixaram de que não vão ter tempo suficiente para preparar o caso.