28 de julho, 2004 - 09h31 GMT (06h31 Brasília)
A organização de ajuda humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) afirmou que vai se retirar do Afeganistão por causa da morte de cinco de seus funcionários e do risco de mais ataques no país.
A MSF emitiu nota dizendo que também não está satisfeita com um inquérito do governo sobre as mortes, ocorridas no dia 2 de junho.
A declaração acusa as forças lideradas pelos Estados Unidos no Afeganistão de utilizarem a ajuda humanitária para seus "propósitos militares e políticos", mas não deu maiores detalhes sobre o assunto.
Alguns especialistas dizem que a iniciativa do MSF poderá ser adotada também por outras organizações humanitárias no país.
"Quase impossível"
"O atual contexto está tornando a concessão de ajuda humanitária para o povo afegão quase impossível", disse a MSF.
Essa é uma referência a um ataque no noroeste do Afeganistão em junho em que três europeus e dois afegãos que trabalhavam para a organização morreram, afirma o correspondente da BBC em Cabul, Andrew North.
North acrescenta que a declaração também se refere ao fato de que trabalhadores de ajuda humanitária têm se tornado cada vez mais alvo da violência no país, o que nunca aconteceu durante os períodos mais intensos e combates entre facções no Afeganistão, na década de 90.
A MSF, detentora de um prêmio Nobel, opera em algumas das regiões mais perigosas do mundo.
A organização tem presença no Afeganistão há 24 anos. Ela mantém atualmente 80 funcionários estrangeiros e 1,4 mil afegãos que dão assistência humanitária independente ao país.