25 de julho, 2004 - 08h41 GMT (05h41 Brasília)
A Promotoria de Justiça do México anunciou que vai recorrer contra a decisão de um juiz que negou o mandado de prisão do ex-presidente do país Luis Echeverría.
O ex-líder é acusado de ter tido conexão com as mortes de estudantes que realizavam um protesto na Cidade do México em 1971.
Grupos de defesa dos direitos humanos ficaram decepcionados com a decisão do juiz José César Flores em poupar Echeverría.
O diretor de uma dessas organizações disse à BBC que estaria sendo analisada a criação de uma comissão de reconciliação e verdade, similar à da África do Sul, que investigou crimes cometidos durante o Apartheid.
'Genocídio'
Na sexta-feira, um promotor disse que o episódio, durante o qual dezenas de estudantes teriam sido mortos, poderia ser interpretado pela lei mexicana como um "genocídio".
O promotor, Ignacio Carrillo, foi responsável por um inquérito que, durante dois anos, analisou acontecimentos da "guerra suja" – como ficou conhecido o período nos anos 70 e 60 quando ativistas de esquerda eram reprimidos pela polícia.
Ainda não se sabe ao certo o que levou o juiz mexicano a descartar a prisão de Echeverría, mas advogados de defesa haviam argumentando que o prazo legal para que o ex-presidente pudesse ser processado pelos crimes já havia expirado.
Além do ex-presidente, Carrillo teria pedido a prisão de outros líderes do seu governo, que foi de 1970 a 1976.
Não se sabe exatamente quantos morreram no dia 10 de junho de 1971 durante uma operação dos Halcones – um grupo armado que muitos acreditam que tinha ligações com o governo de Echeverría, do PRI (Partido Revolucionário Institucional).
Pressão
De acordo com a correspondente da BBC no México Claire Marshall, a decisão do juiz deve agradar os membros do PRI, partido que governou o México por mais de 70 anos.
Representantes do partido mostraram indignação com o parecer de Ignacio Carrillo e, segundo Marshall, pressionaram consideravelmente o presidente Vicente Fox a abandonar as investigações.
Santiago Corcuera, diretor de estudos sobre direitos humanos da Universidade Ibero-americana do México, disse à BBC que "pode haver base suficiente para o promotor contestar a decisão do juiz".
Ele explica que o México é signatário de uma convenção que diz que, em caso de acusações graves, a proscrição de crime baseada no tempo que se passou desde que ele foi cometido não deve ser aplicada.