24 de julho, 2004 - 09h05 GMT (06h05 Brasília)
A ONU anunciou que os dois principais grupos rebeldes da região de Darfur, no oeste do Sudão, concordaram em participar de uma nova rodada de negociações de paz com o governo sudanês.
A primeira rodada de negociações entre as facções rebeldes e governo foram interrompidas devido à retirada de um dos grupos participantes, o Movimento pela Justiça e Igualdade.
O grupo alegou que o governo do Sudão não cumpriu sua promessa de desarmar as milícias árabes, conhecidas como Janjaweed, acusadas de ter promovido assassinatos e estupros em massa em Darfur.
O anúncio da retomada acontece um dia depois de o presidente americano, George W. Bush, ter feito um apelo para que o governo do Sudão tome medidas para conter a violência em Darfur e permita que agências humanitárias trabalhem no país.
Os comentários foram feitos depois que o Congresso dos Estados Unidos aprovou uma resolução que qualifica a crise em Darfur como "genocídio".
Intervenção
A ONU e a Casa Branca estavam, até agora, evitando usar tal palavra, já que ela implicaria na necessidade de uma intervenção internacional, segundo o previsto em uma convenção da ONU de 1948.
O governo americano está propondo a aprovação de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU ameaçando o Sudão com sanções, caso o país não intervenha em Darfur.
O secretário de Estado americano, Colin Powell, se encontrou com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, para discutir uma possível resolução do Conselho de Segurança.
A resolução daria um prazo para o governo sudanês agir. O embaixador do Sudão na ONU, Elfaith Mohamed Erwa, disse que seu governo está fazendo de tudo que pode para pacificar a região, mas foi prejudicado pela quebra do acordo de cessar-fogo com os rebeldes.
Powell acusou o Sudão de apoiar as milícias árabes responsabilizadas pelas atrocidades em Darfur. Mas o governo sudanês vêm negando as acusações.