23 de julho, 2004 - 22h01 GMT (19h01 Brasília)
Em meio à crescente pressão para que a comunidade internacional intervenha na crise sudanesa, o presidente americano, George W. Bush, fez um apelo para que o governo do Sudão tome medidas para conter a violência na conturbada região de Darfur, no oeste do país.
Bush pediu que as autoridades de Cartum mantenham o controle das milícias árabes, conhecidas como Janjaweed, e que permitam que agências humanitárias trabalhem no país.
Os comentários foram feitos depois que o Congresso dos Estados Unidos aprovou uma resolução que qualifica a crise em Darfur como "genocídio".
A ONU e a Casa Branca estavam, até agora, evitando usar tal palavra, já que ela implicaria na necessidade de uma intervenção internacional, segundo o previsto em uma convenção da ONU de 1948.
Sanções
A organização de direitos humanos Anistia Internacional disse que crimes contra a humanidade estão sendo cometidos no Sudão, mas que não poderia confirmar se eles se encaixam na definição de genocídio.
Por sua vez, a União Africana, que está enviando observadores para acompanhar o cessar-fogo em Darfur, disse não acreditar que a violência seja um genocídio.
Bush salientou que os Estados Unidos e a ONU estão trabalhando juntos com a União Africana para "trazer ajuda às pessoas sofridas naquela região".
O governo americano está propondo a aprovação de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU ameaçando o Sudão com sanções, caso o país não intervenha em Darfur.
Atrocidades
Na quinta-feira, o Congresso americano aprovou a resolução declarando que um "genocídio" está acontecendo em na região sudanesa.
Mais de um milhão de pessoas tiveram que deixar suas casas por causa do conflito entre milícias e rebeldes. Dezenas de milhares de sudaneses foram mortos.
Tanto a Câmara de Deputados quanto o Senado deram apoio unânime à moção.
Horas antes da aprovação, o secretário de Estado americano, Colin Powell, se encontrou com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, para discutir uma possível resolução do Conselho de Segurança.
Powell acusou o Sudão de apoiar milícias árabes, responsabilizadas por atrocidades na região de Darfur.
A resolução daria um prazo para o governo sudanês agir. O embaixador do Sudão na ONU, Elfaith Mohamed Erwa, disse que seu governo está fazendo tudo o que pode, mas foi atrapalhado pela quebra do acordo de cessar-fogo com os rebeldes.
Na quinta-feira, o ministro do Exterior sudanês, Mustafa Osman Ismail, advertiu que os Estados Unidos e a Grã-Bretanha não devem interferir nos assuntos internos do Sudão.
O governo sudanês nega estar apoiando milícias.