23 de julho, 2004 - 22h52 GMT (19h52 Brasília)
Um ex-presidente do México pode ter que responder na justiça pela morte de dezenas de estudantes por forças ligadas ao governo do país em 1971.
A possibilidade surgiu depois que um promotor anunciou que as mortes dos estudantes, ocorridas na Cidade do México, equivalem ao crime de genocídio, segundo a lei mexicana.
O promotor, Ignacio Carrillo, apresentou nesta sexta-feira suas conclusões após dois anos de investigações sobre a chamada “guerra suja” no México – período em que militantes de esquerda eram perseguidos no país, durante os anos 60 e 70.
As conclusões foram apresentadas a um juiz, que agora deve decidir se serão abertos processos contra autoridades do país na época – entre elas, aparentemente, o ex-presidente Luis Echeverría, que governou o país de 1970 a 1976.
Idade avançada
Os jornais mexicanos, como La Jornada e El Universal, publicaram matérias dizendo que teriam sido pedidas as prisões de Echeverría e do ex-secretário do governo Mario Moya Palencia.
Mas Ignacio Carrillo se recusou a revelar os nomes de pessoas que, de acordo com o inquérito, poderiam ser processadas.
A morte dos jovens em um protesto na Cidade do México, em 1971, teria sido executada por um grupo paramilitar chamado de Los halcones, supostamente ligado a Echeverría.
Ainda não se sabe ao certo quantos morreram no episódio, mas Carrillo disse que houve dezenas de vítimas.
Caso seja processado, Echeverría seria o primeiro presidente da história do México a enfrentar acusações criminais na Justiça.
Segundo a correspondente da BBC no México Clare Marshall, caso o ex-presidente fosse condenado, ele provavelmente iria cumprir sua sentença em prisão domiciliar por causa de sua idade avançada - 82 anos.
As investigações sobre a violência durante a “guerra suja” começaram sob o atual governo de Vicente Fox – o primeiro de oposição após 71 anos de governos sucessivos do Partido Revolucionário Institucional (PRI).