21 de julho, 2004 - 09h21 GMT (06h21 Brasília)
O governo de Israel disse que vai continuar a construir sua barreira em territórios palestinos na Cisjordânia, apesar de a ONU ter aprovado uma resolução que ordena a sua demolição.
A resolução foi aprovada por maioria absoluta: 150 países votaram a favor do documento, enquanto seis – entre eles os Estados Unidos – votaram contra e dez se abstiveram.
O embaixador israelense na ONU, Dan Gillerman, disse que a votação foi um ritual sem sentido, e insistiu que a barreira é essencial para proteger Israel de ataques palestinos.
"É simplesmente um ultraje responder com tanto vigor a uma medida que salva vidas", disse, afirmando que a decisão é uma "distorção da justiça".
Conselho
O representante palestino na organização, Nasir Al-Kidwa, aplaudiu a resolução e disse que levaria a questão ao Conselho de Segurança, se Israel se recusar a cumpri-la.
A Assembléia Geral da ONU não tem poder para obrigar países a cumprir suas resoluções, mas o assunto pode ser levado ao Conselho de Segurança, que tem poder de impor sanções, o que torna suas decisões mais passíveis de serem cumpridas que as da Assembléia Geral.
No começo do mês, o Tribunal Internacional de Justiça declarou a barreira ilegal.
Os Estados Unidos também tinham se pronunciado contra a decisão da corte e detêm poder de veto no Conselho de Segurança.
A correspondente da BBC na ONU, Susannah Price, diz que a resolução é uma tentativa de exercer pressão moral sobre Israel.
A Autoridade Palestina disse que vai adiar a pressão por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU até depois das eleições presidenciais americanas, marcadas para novembro.