20 de julho, 2004 - 17h39 GMT (14h39 Brasília)
O papa João Paulo 2º ordenou nesta terça-feira uma investigação sobre as alegações de abuso e conduta sexual inadequada em um seminário em St. Poelten, perto de Viena, na Áustria.
O bispo Klaus Kueng, da cidade austríaca de Feldkirch, foi indicado pelo Vaticano para investigar o escândalo.
Na segunda-feira, um estudante polonês do seminário foi acusado de posse e distribuição de pornografia infantil.
O caso chocou a Áustria e envergonhou a Igreja Católica, que enfrentou uma série de escândalos nos últimos anos.
'Visitante apostólico'
Um promotor estadual afirmou que as imagens de pornografia infantil e violência sexual foram encontrados no principal servidor do seminário e no disco rígido do computador do estudante acusado.
Relatos indicam que as imagens também incluem fotografias de estudantes beijando e acariciando uns aos outros e professores mais velhos.
O promotor disse que a investigação policial se concentrou apenas na alegação de pornografia infantil porque "relações homossexuais consentidas entre adultos, não envolvendo o abuso de uma relação de autoridade", não constituem um crime na Áustria.
O bispo Kueng vai agir como um "visitante apostólico" – ou investigador papal – para a diocese de St. Poulten e seu seminário.
Um membro da organização conservadora católica Opus Dei vai informar suas conclusões diretamente ao papa.
De acordo com a Arquidiocese de Viena, a decisão do pontífice representa o final de um inquérito chefiado por Kurt Krenn, bispo responsável pelo seminário.
O bispo Krenn rejeitou os pedidos pela sua renúncia, depois de ter dito que as imagens no centro do escândalo retratavam uma "travessura de um aluno". O diretor do seminário e seu vice já renunciaram aos cargos.