19 de julho, 2004 - 12h57 GMT (09h57 Brasília)
Milícias árabes pró-governo no Sudão estão usando o estupro em massa como arma no conflito com grupos de africanos não árabes em Darfur, diz a Anistia Internacional.
Meninas de 8 anos e mulheres de 80 foram estupradas, diz a entidade.
A Anistia Internacional acusa a comunidade internacional de não fazer o suficiente para proteger as mulheres em Darfur e também nos campos de refugiados no país vizinho Chad, para onde muitas fugiram.
No seu relatório, intitulado Estupro Como Arma de Guerra, a organização publicou depoimentos de algumas das centenas de mulheres com quem seus pesquisadores conversaram.
“Eu estava dormindo quando o ataque contra (o vilarejo) Disa começou. Fui levada pelos agressores, todos vestiam uniformes”, conta uma refugiada de Disa.
“Levaram dezenas de outras meninas e fizeram com que andássemos por três horas. Durante o dia éramos espancadas. (…) À noite, éramos estupradas várias vezes. Não recebemos comida por três dias.”
A Anistia acusa o governo de apoiar os ataques pelas milícias Janjaweed e quer que seja feita uma investigação sobre crimes de guerra e crimes contra a humanidade no Sudão. O governo nega as acusações.
As negociações de paz entre o governo e os rebeldes de Darfur foram abandonadas no sábado.