19 de julho, 2004 - 16h01 GMT (13h01 Brasília)
Os últimos soldados das Filipinas que estavam no Iraque deixaram o país nesta quinta-feira, atendendo às demandas de militantes que seqüestraram um filipino e ameaçavam matá-lo.
Os 22 soldados remanescentes foram se despedir de seu comandante polonês na base de Hillah, ao sul de Bagdá.
Eles viajam por terra até o Kuwait, de onde pegarão um avião de volta para casa, segundo a ministra das Relações Exteriores, Delia Albert.
Ainda não se tem notícia sobre o paradeiro do refém, o motorista de caminhão Angelo de la Cruz.
Os militantes diziam que o matariam a menos que as Filipinas retirassem suas tropas (51 integrantes) do Iraque até o fim de julho.
'Mau precedente'
O governo interino iraquiano classificou a decisão do governo de Manila como um "mau precedente".
Países aliados das Filipinas na chamada "guerra ao terror", entre eles os Estados Unidos e a Austrália, criticaram duramente a retirada.
Autoridades em Washington que pediram para não ter seus nomes revelados disseram que as relações do governo americano com Manila estão sendo reavaliadas.
O chefe das forças filipinas no Iraque, general Jovito Palparan, chegou a Manila nesta segunda-feira e disse que era bom estar em casa novamente.
Ele declarou que as Filipinas tiveram "bons resultados" no Iraque, sem entrar em detalhes.
O país tinha apenas algumas dezenas de soldados em solo iraquiano, mas há mais de 4 mil civis filipinos trabalhando no Iraque, a maioria deles contratados em bases militares dos Estados Unidos.
No domingo, o chanceler iraquiano, Hoshyar Zebari, afirmou: "Respeitamos a decisão do governo das Filipinas, mas isso veio em resposta a demandas de gangues terroristas".
"Isso, ao meu ver e na opinião do governo iraquiano, cria um mau precendente e envia as mensagens erradas."
Os insurgentes que combatem a presença das tropas lideradas pelos Estados Unidos vêm utilizando com freqüência seqüestros de estrangeiros, exigindo a retirada das tropas de seu país de origem como "resgate".