20 de julho, 2004 - 01h00 GMT (22h00 Brasília)
Cinco mil dos criminosos mais reincidentes da Inglaterra e do País de Gales serão constantemente monitorados por satélite, de acordo com planos apresentados nesta segunda-feira pelo governo britânico.
Acredita-se que esse grupo de infratores seja responsável por um em cada dez crimes cometidos nas duas regiões.
O monitoramento seria feito com o uso da tecnologia GPS (sistema global de posicionamento), que permitiria às autoridades determinar a posição exata dos criminosos.
O sistema seria utilizado para impor áreas de exclusão a determinados criminosos - inclusive pedófilos, que seriam impedidos de se aproximar de escolas, e ladrões responsáveis por muitos roubos.
O monitoramento também poderia ser adotado como punição a pessoas condenadas por crimes menores, agindo como uma espécie de "prisão sem grades".
Plano
O uso de monitoramento eletrônico de criminosos será ampliado a ponto de, no futuro, poder ser aplicado em 18 mil pessoas, segundo prevê a nova estratégia do governo britânico para combater à criminalidade.
O plano, de cinco anos, tem como meta diminuir a taxa de criminalidade em 15% até 2008, reduzindo em 885 mil o total de crimes registrado no período 2002/2003 - 5,9 milhões na Inglaterra e no País de Gales.
Ao anunciar o plano, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, disse que é hora de marcar o fim do "consenso liberal dos anos 60".
Ele disse que, nessa década, a Grã-Bretanha testemunhou avanços na proteção aos direitos individuais, aos direitos das mulheres e na luta contra a discriminação.
As leis, e a aplicação delas, passaram a se concentrar nos direitos dos infratores e em formas de evitar erros na prática da justiça.
Mas Blair disse que isso precisa mudar. "As pessoas não querem um retorno aos velhos preconceitos ou à discriminação. Mas elas querem regras, ordem e bom comportamento”.
Partidos de oposição criticaram o primeiro-ministro e seu pacote de medidas, dizendo que, com as propostas, Blair tenta apenas conquistar manchetes na imprensa, sem oferecer nada de verdadeiramente novo.