18 de julho, 2004 - 08h34 GMT (05h34 Brasília)
Os últimos soldados filipinos no Iraque vão deixar o país nesta segunda-feira, cumprindo uma exigência dos seqüestrados que mantêm um refém filipino.
O primeiro pelotão retirou-se do país na última sexta-feira, ignorando apelos dos Estados Unidos e de outros países aliados para que as Filipinas não cedessem aos militantes rebeldes.
Os seqüestradores ameaçaram decapitar Ângelo de la Cruz se os soldados filipinos não deixassem o país até o final do mês.
Os últimos 22 do total de 51 soldados estão "finalizando a transferência de responsabilidades", afirmou em comunicado a ministra filipina das Relações Exteriores, Delia Albert.
Babil
O enviado especial das Filipinas ao Oriente Médio, Roy Cimatu, vai acompanhar os últimos soldados, que estão sob comando polonês no Campo Charlie, na província de Babil.
"Depois da baixa, o contingente restante seguirá para o Kwait e de lá para Manila em um vôo comercial", diz o comunicado.
Apesar do pequeno número de soldados no Iraque, há cerca de 4 mil civis filipinos no país, a maioria contratada para trabalhar nas bases militares dos Estados Unidos.
Condenação
"Não quero ser duro com um país amigo, mas este foi um erro e não vai comprar a imunidade para eles", reagiu o primeiro-ministro australiano, John Howard.
Segundo Howard, retirar as tropas "não vai impedir que (seqüestros) ocorram novamente".
O porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, também condenou a decisão do governo filipino.
"É uma decepção ver uma decisão que envia sinais equivocados a terroristas", afirmou.
O seqüestro do motorista filipino tem dominado o noticiário nas Filipinas desde que foi divulgado.
O grupo chamado Exército Islâmico Iraquiano Khaled bin al-Waleed, até então desconhecido, exigiu a retirada das tropas filipinas até 20 de julho, um mês antes do planejado, para manter o refém vivo.
Na última quinta-feira, o prazo foi extendido até o final de julho.