11 de julho, 2004 - 19h04 GMT (16h04 Brasília)
Políticos franceses reagiram com horror a um ataque anti-semita contra uma mulher e seu bebê em um trem na França.
Uma gangue de jovens cortou o cabelo da mulher e suas roupas e desenhou a suástica nazista no corpo dela, antes de virar o carrinho onde o bebê dela estava deitado.
Nenhum passageiro tentou impedir o ataque contra a mulher, que a gangue acusava de ser judia.
O presidente francês, Jacques Chirac, condenou o "ato vergonhoso", cometido um dia depois de ele ter prometido combater o racismo no país.
Cercada
Chirac exigiu que "seja feito tudo para encontrar os responsáveis... e que eles sejam julgados e sentenciados com severidade".
A mulher de 23 anos estava em um trem ao norte de Paris na sexta-feira de manhã, com seu bebê de 13 meses de idade.
Seis homens - descritos pela mídia francesa como parecendo ser de origem norte-africana - cercaram a jovem e puxaram sua bolsa.
Segundo a polícia, a gangue encontrou documentos que se referiam ao rico 16º distrito da capital , e disseram: "Só há judeus no 16º distrito".
A polícia disse que a mulher não é judia e não vive mais no bairro.
Há informações de que os agressores empurraram a mulher, usaram uma faca para cortar o cabelo dela e as roupas, e desenharam suásticas na barriga da vítima, com uma caneta.
Na confusão, o bebê foi aparentemente atirado para fora do carrinho.
Passageiros criticados
Políticos de todas as linhas criticaram o ataque.
Jean-Paul Huchon, presidente da região de Ile de France, que cerca Paris, ficou desesperado com a falta de reação dos passageiros.
Ele lembrou a deportação das crianças judias durante a ocupação alemã na Segunda Guerra Mundial, dizendo: "E agora, deixamos pessoas serem atacadas assim, sem reagir, sem fazer nada".
O ministro do Interior, Dominique de Villepin, ordenou que a polícia encontre os culpados "o mais rápido possível".
Na quinta-feira, o presidente Chirac se queixou da quantidade de ataques racistas e anti-semitas na França, inclusive a profanação de túmulos de judeus e muçulmanos.
Analistas relacionam a crescente tensão entre judeus e muçulmanos ao contínuo conflito no Oriente Médio.
Há poucos dias, um relatório do Serviço de Inteligência Francês concluiu que os subúrbios pobres da França estão se tornando guetos , onde prolifera o radicalismo islâmico.