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10 de julho, 2004 - 04h09 GMT (01h09 Brasília)

EUA criticam decisão sobre barreira israelense

O porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Richard Boucher, disse nesta sexta-feira que a decisão da Corte Internacional de Justiça sobre a barreira que Israel está construindo na Cisjordânia pode ser uma distração prejudicial ao processo político no Oriente Médio.

A corte, com sede em Haia (Holanda), determinou que a barreira que Israel está construindo na Cisjordânia é ilegal e não pode ser justificada pela preocupação israelense com sua própria segurança.

Mas Israel anunciou que não irá aceitar a decisão que considera “injusta” da Corte – a qual não tem força legal para obrigar o país a paralisar a construção.

Governos de países árabes pediram que a Assembléia Geral da ONU tenha uma reunião para mostrar seu apoio à decisão do tribunal.

Segurança

Israel insiste que precisa construir a barreira para manter afastados de seu território militantes extremistas. Autoridades palestinas, por sua vez, dizem que, com a construção da barreira, Israel está tomando terras que não lhe pertencem.

Vários países, incluindo os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, disseram que a Corte Internacional de Justiça não deveria se pronunciar sobre o assunto, advertindo que o parecer poderia ter influência sobre o processo de paz no Oriente Médio.

“Nós não acreditamos que esse é o fórum apropriado para resolver o que é uma questão política”, disse o porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan.

Ao anunciar o parecer do grupo de juízes da Corte que analisou a questão, o presidente do órgão, Shi Jiuyong, disse que o tribunal não se convenceu de que a construção da barreira é o único meio ao alcance de Israel para manter sua segurança.

Decisões

A corte decidiu que:

De acordo com o analista da BBC Jonathan Marcus, a questão no momento é que mudanças vão ocorrer, se ocorrerem, agora que a barreira foi considerada ilegal.

Especialistas vêm com cautela a possibilidade de que a ONU adote alguma medida dura contra Israel – especialmente por causa do poder de veto dos Estados Unidos no Conselho de Segurança.

Os Estados Unidos rejeitaram várias vezes no passado propostas de resolução condenando Israel.