09 de julho, 2004 - 09h48 GMT (06h48 Brasília)
Os Senadores americanos divulgam nesta sexta-feira um relatório criticando as informações de inteligência sobre o Iraque coletadas antes da ofensiva contra o país.
O Comitê de Inteligência do Senado trabalhou na elaboração do documento por mais de um ano e entrevistou centenas de pessoas, entre elas o diretor da CIA, George Tenet, que deixa o cargo neste domingo.
O relatório com cerca de 400 páginas seria crítico, especificamente, à avaliação da CIA (Central de Inteligência Americana) sobre as armas iraquianas.
Fontes que tiveram acesso ao levantamento dizem que a CIA é acusada de coleta inadequada de informações e análise negligente.
No entanto, o relatório não comenta se houve exageros no caso da guerra contra o Iraque – isso está sendo feito em uma investigação separada.
Falhas
“É uma crítica precisa, dura e bem-merecida da CIA”, disse o senador democrata Carl Levin, na quinta-feira.
Já o chefe do Comitê, o senador republicano Pat Roberts, afirmou que houve uma falha de inteligência em todo o mundo.
O relatório também cita a suposta ligação do Iraque com grupos terroristas e discute se o país representava uma ameaça para a estabilidade no Oriente Médio.
Segundo o correspondente da BBC em Washington Ian Pannel, o relatório ainda deve dizer que os analistas da CIA não estavam sob pressão política para divulgar uma determinada conclusão quanto aos dados coletados sobre o Iraque.
No entanto, um dos membros da comissão responsável pelo relatório, um democrata, teria dito que a “pressão era imensa” sobre os analistas.
A existência de armas de destruição em massa no Iraque foi a principal justificativa dada pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, para lançar a ofensiva militar sobre o Iraque, no ano passado.
No entanto, até agora, investigadores no Iraque anunciaram só ter descoberto planos para o desenvolvimento de armas desse tipo e sinais de que o governo iraquiano estava tentando enganar a comunidade internacional quanto à existência delas, mas não as armas de fato.