09 de julho, 2004 - 18h42 GMT (15h42 Brasília)
Jonathan Marcus
A decisão da Corte Internacional de Justiça representa uma significativa vitória moral para os palestinos.
Há tempos eles vêm argumentando que a barreira de segurança israelense, que em alguns trechos avança muito pela Cijordânia para englobar blocos de assentamentos judeus, é uma tentativa de impor uma nova realidade.
O governo israelense vem insistindo que a barreira está sendo levantada apenas por questões de segurança.
Israel pondera que o número de ataques dentro do país diminuiu bastante desde o início da construção da barreira.
Na prática
Mas até mesmo a Suprema Corte Israelense decidiu que em algumas áreas a rota da barreira torna muito dura a vida de palestinos comuns, separando-os de seus campos de cultivo, hospitais e cidades próximas.
No fundo, a questão é o que mudará agora que a barreira foi declarada illegal - se é que alguma coisa vai mudar.
A decisão do tribunal da Organização das Nações Unidas (ONU) tem caráter de opinião, não de julgamento formal.
E o governo israelense não deve desmantelar a barreira.
Ironia
Os governos árabes devem buscar uma sessão de emergência da Assembléia Geral da ONU o mais cedo possível para tentar assegurar uma resolução similar à decisão do tribunal.
Fontes diplomáticas dizem que uma resolução que mencione "ações práticas" deve ser buscada em setembro.
Especialistas alertam contra qualquer expectativa de uma ação mais dura da ONU, e não apenas por causa do veto americano no Conselho de Segurança.
Washington e vários de seus aliados europeus sempre estiveram pouco à vontade sobre a possibilidade de esse assunto chegar ao tribunal, por não acreditarem que o resultado seria necessariamente benéfico ao processo de paz.
A ironia é que a melhor maneira que os palestinos têm de reduzir o impacto da barreira é pela Corte Suprema de Israel, que já aconselhou o governo a alterar a rota por causa do impacto que ela pode ter no cotidiano dos palestinos.