11 de julho, 2004 - 17h04 GMT (14h04 Brasília)
Eric Brücher Camara
Um relatório divulgado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) diz que metade dos órfãos brasileiros perdeu pelo menos um dos pais para a Aids.
O dado faz parte de um estudo lançado pela entidade que avalia o impacto da Aids sobre o mundo do trabalho.
Um dos problemas apontados pela OIT é o de que o crescente número de crianças que crescem sem o apoio dos pais, que morreram por casa da Aids, têm a educação prejudicada e chances menores de conseguir um trabalho de boa qualidade no futuro.
Em todo o mundo, a OIT estima que 15 milhões de órfãos com menos de 18 anos perderam pelo menos um dos pais por causa da Aids.
Crescimento pela metade
O estudo está sendo apresentado na 15ª Conferência Internacional sobre a Aids, que está acontecendo em Bangcoc, na Tailândia.
O documento afirma por exemplo que o vírus HIV e a Aids cortaram pela metade o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos países africanos entre 1992 e 2002 .
Além disso, em todo o mundo, estima-se que cerca de 36,5 milhões de pessoas em idade de trabalho estejam com Aids e que, até o ano que vem, 28 milhões vão morrer da doença.
Esse impacto da doença na força de trabalho teria diminuído o PIB desses países em 0,7% ao ano, e o crescimento deles no mesmo período foi também de 0,7% ao ano.
Isso indica que, sem a epidemia, o crescimento econômico da África poderia ter sido de 1,4% ao ano entre 1992 e 2002.
Já nos países da América Latina e do Caribe, a perda per capita foi significativamente menor, de 0,3% ao ano. A porcentagem, no entanto, representa uma fatia bem menos representativa do crescimento total no período.
Brasil
No Brasil, segundo o relatório da OIT, o impacto da Aids sobre a economia foi tão reduzido que não foi possível calcular esses percentuais.
O relatório diz que a situação é semelhante àquela identificada em outras economias emergentes, como a China e a Índia.
No entanto, a projeção da instituição para os próximos anos prevê que o número de trabalhadores mortos por Aids no Brasil vai crescer consideravelmente.
A OIT afirma que, até o ano que vem, apenas 0,7% da população economicamente ativa deve ser perdida para a doença.
No entanto, essa porcentagem deve subir para 1% em 2010 e 1,2% em 2015.
Perdas dramáticas
Os países que mais perdem trabalhadores para a Aids são Botsuana, que em 2015 pode ter sua força de trabalho reduzida em 36%, e o Zimbábue, onde esta porcentagem pode chegar a 41%.
Nesses países em que os índices de contaminação são muito altos, como a África do Sul, por exemplo, o impacto na economia é dramático.
A economia sul-africana é a maior do continente. Embora a taxa de incidência de Aids do país não seja a mais alta, a OIT calcula que US$ 7 bilhões tenham sido perdidos todos os anos entre 1992 e 2002.
Isso representa uma perda de US$ 115 per capita por ano.
No mundo todo, o prejuízo teria sido de US$ 17 bilhões por ano, o equivalente a US$ 15 por pessoa, em média.