05 de julho, 2004 - 17h17 GMT (14h17 Brasília)
Winnie Madikizela Mandela, ex-mulher de Nelson Mandela, ganhou apelação judicial contra sentença de cinco anos de prisão.
Ela tinha sido condenada em abril de 2003 por roubo e fraude ligados a empréstimos bancários que ela conseguiu para trabalhadores do Congresso Nacional Africano (CNA). Mas um juiz sul-africano suspendeu a sentença.
"Os crimes não foram cometidos para ganho pessoal", disse o juiz Eberhard Bertelsmann, da Suprema Corte de Pretória.
Papel difícil
Winnie Madikizela Mandela é um símbolo da movimento contra o apartheid na África do Sul e foi presidente da Liga das Mulheres do Congresso Nacional Africano. Ela fora condenada em 43 acusações de fraude e 25 de roubo.
Winnie renunciou ao cargo de parlamentar depois da condenação.
O advogado de Winnie Madikizela Mandela argumentou em defesa dela, no mês passado, que ela só estava tentando ajudar os empregados da liga quando obteve empréstimos bancários fradulentos para eles.
O juiz disse que Winnie Madikizela Mandela, de 67 anos, teve "um papel longo e com freqüência difícil na vida pública" e que, "durante sua vida, ela apoiou uma causa maior do que a própria".
Segundo relatos, a ex-primeira-dama mostrou pouca reação à vitória de sua apelação e disse que tentaria anular sua condenação por completo.
Centenas de estudantes comemoraram a decisão do juiz de não mandá-la para prisão.
Ela continua muito popular, principalmente entre os negros pobres sul-africanos, que lembram do papel dela na luta contra o governo da minoria branca.
Em 1991, ela foi condenada a seis anos de prisão por seu papel na morte de um garoto de 14 anos.
A condenação foi reduzida a uma multa durante apelação.